Como diria Martin Luther King: "O que me preocupa não é nem o grito dos
corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem
ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons."
Hoje, o que ocorre é que o cidadão de bem já não aguenta mais tanta
corrupção e impunidade. O fato é que pagamos uma das cargas tributárias
mais altas do mundo, e a contra partida é pífia. A infraestrutura no
país é precária. A saúde pública agoniza, bem como a segurança e a
educação. Em paralelo, as manchetes diárias de escândalos de corrupção
demonstram que a classe política já não se envergonha mais com tamanha
putrefação dos valores éticos e morais. Eles, corruptos, sequer sentem
algum remorso. Há sempre um bando de parasitas bajulando corruptos e
corruptores. Vivemos uma crise profunda de valores.
A impressão é que antigamente, a corrupção causava certo espanto. O
Collor caiu por um Fiat Elba. Hoje, o mensalão, maior esquema de
corrupção nunca antes existente na história deste país, tende a cair na
impunidade. Os esquemas de corrupção saltam aos olhos diariamente,
centenas, milhares. E se ficamos sabendo da existência deles, não é
porque o governo utiliza da transparência na gestão pública, mas sim,
porque os dissidentes dos esquemas denunciam a existência dos mesmos. O
sujeito acha que está mamando pouco e denuncia. Teve até uma manchete
em que uma promotora corrupta entrou na justiça para reaver o montante
subtraído. Pode?
Político usa jatinho de empreiteira e acha o fato normal. E quando a
Polícia Federal coloca algema em um corrupto ela é linchada por
sensacionalizar o fato. Palhaço é pouco para descrever o cidadão
honesto neste país.
Outro fator absurdo é o injusto pacto federativo, que destina 70% dos
impostos pagos nos estados para a esfera federal, privilegiando
Brasília com o surreal título de maior renda per capita do país. Mesmo
sem a capital federal abrigar setores produtivos da indústria, dos
serviços, da agropecuária, tecnologia, trurismo, etc. É o mercado de
luxo mais evidente e pujante do país. Ora, Tiradentes deve estar se
remoendo no túmulo. Lutou contra a Coroa Portuguesa contra o quinto dos
infernos. Hoje, pagamos dois quintos do infernos em extorsivos
impostos. Porém, a metrópole já não é mais Portugal, e sim a esfera
federal e seus podres poderes que concentram renda e distribuem
ineficiência, nepotismo e corrupção.
O que foi descrito até então é o quadro no Brasil. Porém, felizmente
vivemos uma revolução mundial. É a vitória da liberdade. A internet é
uma nova forma de comunicação que democratizou os processos. Se antes
os veículos de massa atingiam milhares em via de mão única, agora eles
coexistem com uma gigantesca rede que permite que qualquer indivíduo
coloque suas opiniões, suas ideias, seus valores de forma livre na
internet. Foi no Facebook que a Primavera Árabe nasceu. Os protestos em
Wall Street também nasceram na internet. E os brasileiros também se
mobilizam. Os cidadãos honestos de Brasília, que já não suportam mais
ostentar o título de "morador da cidade da corrupção" invadem as ruas
para mostrar ao resto do país que nem todo brasiliense é conivente com
a roubalheira que paira sobre o Planalto Central.
E se aqueles que deveriam representar seus eleitores insistem no voto
secreto, na manutenção de uma carga tributária sufocante, na
impunidade, a sociedade agora tem a internet para se organizar. E a
reforma política proposta pelos políticos é uma piada. É como colocar
cachorro tomando conta das salsichas. Se hoje somos poucos nas ruas,
amanhã seremos muitos. A revolução, pacífica e ordeira está apenas
começando. Os parasitas que se cuidem. Quem quiser lidar com dinheiro
público deverá ser transparente e responsável. A internet é um caminho
sem volta. O projeto Ficha Limpa, iniciativa popular não passou, ainda,
pela barreira dos que detêm o monopólio do Estado. Entretanto, fichas
sujas que se cuidem. Seu lugar não é gerindo dinheiro público, mas
vendo o sol nascer quadrado. A sociedade acordou. Os protestos estão
apenas começando. E se acham que vão nos calar com pão e circo (Copa e
Olimpíadas), tirem o cavalinho da chuva. Ou matamos esse câncer chamado
corrupção, ou esse câncer mata o Brasil.
Ética já!

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